domingo, 1 de novembro de 2009

Still Vinyl 2009 - O som estava quase sempre bom... porque será?

Hoje fui ao primeiro dia do Still Vinyl 2009 que decorreu como esperava com enorme sucesso, muito público e muita qualidade geral. Amanhã há mais! Neste primeiro comentário, que vai ser curto, gostava de levantar uma questão muito interessante. Já ouvi e li comentários sobre o evento em que se realça a qualidade do som ser elevada na maior parte das salas, ao contrário do que acontece noutros eventos "audio" em que além das salas onde o som é de grande qualidade, há sempre um número razoavelmente elevado de salas onde o som é apenas mediano, ou mesmo "menos bom". Refere-se também o facto de haver boa disposição geral, e de se passar o dia todo a ouvir música com prazer, sem cansaço... Eu, lendo e ouvindo declarações deste tipo, dou logo por mim a pensar: "Mas claro... o que todas estas salas tinham em comum? A fonte analógica!". Quem pensar que isto não tem uma importância decisiva, e os resultados que descrevi em cima, está muito enganado. A utilização "geral" de fontes analógicas, gira-discos a tocar discos de Vinil, não só livrou todo o evento da sonoridade digital que está sempre associada à leitura de CD's (a sensação de compressão com estridência típica na gama média, perda de informação sonora e consequente endurecimento do som, decays e reverberação artificiais ou mesmo estranhos, agressividade geral e carácter mais intrusivo das nuances sonoras), como ainda contribuiu decisivamente para um aumento brutal da qualidade de som das MASTERIZAÇÕES utilizadas, porque usando como fonte o Vinil as possibilidades da masterização ser de boa ou muito boa qualidade aumentam radicalmente, e na maior parte dos casos tocavam edições cuidadas ou edições "do tempo" em que não havia "masters" digitais. Como os expositores estavam restringidos ao Vinil como fonte, não puderam usar e abusar de CD's mal produzidos, cheios de compressão e redução de ruído digital (altamente destructiva) que infelizmente é prática relativamente comum nos eventos a que tenho assistido nos últimos anos. O resultado desta dieta analógica foi um som geral de maior qualidade, que agradou muito mais e durante muito mais tempo (sem fadiga auditiva).

O som estava melhor do que aquilo a que estamos habituados, em geral tocou mais música, não haja dúvidas. Eu também tenho essa opinião. É importante frizar que isso acontece porque as fontes analógicas eliminaram os efeitos secundários do "digital", e talvez mais relevante ainda, permitiram o acesso generalizado a masterizações de muito melhor qualidade do que aquilo a que tipicamente somos submetidos. A ideia do "source first" nunca fez tanto sentido, e a verdadeira fonte original não é o "tocador"... é o conteúdo! Não existe upgrade maior do que o upgrade ao som dos conteúdos, através de uma aprendizagem e escolha criteriosa. Mas mais sobre isto noutro post a publicar futuramente...

Seria o espaço do Still Vinyl 2009 especialmente indicado para eventos audio, e muito melhor do que os outros? Não... As empresas que montaram as salas de audição, afinando equipamentos e seleccionando os conteúdos, mudaram relativamente a outros eventos? Não... Terão aprendido recentemente novas técnicas muito mais eficazes para tornar o som melhor e dar aos visitantes uma sensação geral de bem estar e prazer musical? Não... O que mudou foi a generalização do Vinil como fonte. Isso fez toda a diferença! E mesmo com todos os defeitos do Vinil, que os tem claro, não é perfeito, não vi grande consternação com o aparecimento de uma ou outra "pipoca" ou "batata frita" no som de alguns discos... nem ouvi de ninguém comentários de "wow & flutter" ou "inner groove distortion"... ou qualquer outro "problematic behavior" do vinil. parece que andavam todos mais ocupados a ouvir música. E esta hein?


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