quarta-feira, 25 de junho de 2014

Mobile Fidelity Sound Lab Reedições históricas de Bob Dylan e Miles Davis em Vinil LP




A Mobile Fidelity Sound Lab conseguiu recentemente os direitos para restaurar e reeditar a obra de dois dos maiores ícones da música Americana e Mundial, nada mais nada menos do que Bob Dylan, o maior e mais famoso artista folk/rock da sua geração e talvez de sempre, e o gigante Miles Davis que basicamente definiu o Jazz desde os anos 50/60 com impacto em vários estilos musicais ainda hoje.

Quem gosta de música não pode passar sem ter estes dois artistas bem representados na sua colecção de discos, mas acima de tudo, é imperdoável ignorar esta oportunidade única que a MFSL nos ofereceu de podermos ter as obras-primas destes génios a tocar nas nossas casas com a melhor qualidade de som de sempre e no melhor formato do mundo.

Produções meticulosamente tratadas, 100% analógicas desde a captação dos microfones, passando pela gravação, edição, mistura, masterização e prensagem, a partir das melhores fontes disponíveis actualmente de acordo com os mais elevados padrões de qualidade e bom gosto audiófilos, prensados na melhor fábrica dos Estados Unidos da América e apresentados em luxuosas capas de cartão extra grosso com arte e grafismo absolutamente impecáveis, são aquilo que considero uma verdadeira prenda da MFSL para todos os melómanos e audiófilos apaixonados do Mundo, uma dádiva que não pode ser desprdiçada e que provavelmente nunca mais voltaremos a ver tão bem produzida e prensada.

Os níveis de resolução, clareza, extensão de frequências, dinâmica, rapidez e intensidade de transientes, são absolutamente fantásticos, com uma presença e imediatez que resultam numa apresentação sonora extremamente realista de um vasto palco sonoro holográfico e profundo como só uma grande masterização completamente analógica pode proporcionar, tudo acompanhado de correcção tonal e timbres rigorosos para um som de transparência total e ligação umbelical à fonte musical que fazem destes dois programas de restauro da Mobile Fidelity Sound Lab algo de verdadeiramente excepcional e único.

Estamos a falar de Bob Dylan, e Miles Davis... portanto sobre a música e sobre o impacto que estes dois artistas tiveram e têm na música e na sociedde moderna, não há muito mais a dizer, são dois gigantes, dois colossos, verdadeiros génios que revolucionaram o Mundo de todos nós.


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sábado, 31 de maio de 2014

Pode confiar nos seus ouvidos?


As ilusões e fenómenos da Audição Humana e como o nosso cérebro manipula e trata a informação resultante desse e outros sentidos, por vezes misturando sentidos com interacções do nosso consciente.

Depois de ver este video penso que a pergunta mais correcta seria: Podemos confiar em algo mais do que nos nossos ouvidos? Se a Audição Humana tem estas particularidades, das quais provavelmente desconhecemos a grande maioria, como confiar em critérios de avaliação técnica sobre qualidade de som ou qualidade de desempenho audio de equipamentos?

Como lidar com a forma como a nossa audição se deixa influenciar pela visão, pelo nosso conhecimento prévio, e muitas outras coisas? Creio que a resposta mais simples é: sim, podemos confiar nos nossos ouvidos, no final de contas são o único intrumento que é fiável para nós enquanto ouvintes. Tudo o resto é "factor externo" e não pode englobar todas as complexas particularidades da nossa audição individual e Humana.

E isto explica muita coisa...


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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A rodar: McLaughlin Di Meola Paco de Lucia Friday Night In San Francisco 2LP 45rpm ORG

(reedição impressionante da ORG roda a 45rpm no meu Rega P9)

Paco de Lucía deixou-nos em Fevereiro de 2014 aos 66 anos, vítima de um ataque cardíaco. Foi um momento de grande tristeza, nunca queremos ver os nossos ídolos partir tão cedo, e Paco de Lucía foi um dos nomes mais importantes da Música Flamenco a qual ajudou a promover junto de um público muito mais vasto, mas não foi apenas isso, ele foi um ícone de pura criatividade e virtuosismo para muitos quadrantes musicais desde o Jazz até à Música Clássica.

Para mim, quando era um jovem adolescente o seu nome traduzia-se em algo como "incrível magia da guitarra", e algumas das minhas memórias mais marcantes de ouvir música no sistema audio do meu pai vêm das audições do Friday Night In San Francisco que me davam a sensação de estar mesmo lá, no meio do público com a performance a decorrer mesmo à minha frente.



Na altura o meu pai tinha um sistema que impressionava constituído por todos os componentes separados Quad 66 e um par de colunas electroestáticas Quad ESL-63 apetrechadas com os Subwoofers Gradient SW-63 e respectivo cross-over desenhados específicamente para elas, tudo numa sala espaçosa com uma janela enorme e vista sobre o Tejo em Lisboa. O que poderia ser mais romântico? Quad electroestáticas, Lisboa e o Tejo? Toda a música soava maravilhosamente naquele sistema e com aquela vista, mas alguns discos causaram uma impressão tão forte que ficaram profundamente implantados na minha mente e se eu fechar os olhos por um momento ainda consigo reviver aqueles momentos e recuperar a sensação de estar lá com aquele som particular e aquela vista, e todas as emoções.

Este é um dos meus discos preferidos de sempre, e tenho de admitir que passei uma grande parte da minha juventude a ouvir esta obra-prima em CD. Felizmente para mim, não existe nenhuma versão deste disco em qualquer formato que soe mal, tem sempre pelo menos um som muito bom. Mas havia, claro, espaço para melhorar, e este album considerado por muitos como a melhor performance de guitarra acústica ao vivo alguma vez gravado, certamente merece o tratamento audiófilo definitivo.



Paco de Lucía esteve em San Francisco com os famosos guitarristas John McLaughlin e Al Di Meola, cada um trouxe diferentes influências para cima do palco, mas para mim esta sempre foi a noite de Lucía porque me soa como se a sua visão e estilo de Flamenco se tivessem fundido com a performance do grupo de tal forma que a tornou sua... e como foi grandiosa essa noite! É uma performance de pura vida e energia, ataque e retirada, chamada e resposta, gritos do público, larga escala e micro detalhe, espírito inventivo e criatividade juntamente com a mais inacreditável destreza técnica virtuosa, esta gravação é magia, puro ilusionismo sonoro para a alma.



Foi descrito pelo autor e crítico de jazz Walter Kolosky como um "evento musical que pode ser comparado à performance da banda de Benny Goodman no Carnegie Hall em 1938... pode ser considerado como o album de guitarra acústica ao vivo mais importante de sempre". Todas as faixas foram gravadas ao vivo no The Warfield Theatre de San Francisco em 5 de Dezembro de 1980 excepto Guardian Angel que foi gravado no Minot Sound em White Plains, New York.

Eu nunca senti que fosse necessária uma versão melhor do que os meus originais em CD e LP, mas quando foi anunciada esta reedição da ORG masterizada por Bernie Grundman fiquei extremamente curioso para a comparar às edições originais e à última versão que foi lançada em SACD. Sem eu saber, vinha aí uma grande surpresa...



A tonalidade geral é muito semelhante à da masterização original dos anos 80, mas com um aumento massivo do detalhe, resolução e resposta de transientes. Melhor dizendo... a evolução sobre a presença e energia da performance é simplesmente arrebatadora! Por outro lado, o SACD tem uma sonoridade muito mais brilhante (ou aguda), as cordas apresentam mesmo um som diferente...Não deixa de ser bom mas já não parece ser a mesma gravação. Uma possível explicação é que a masterização do SACD foi uma tentativa de tornar o som mais aberto para o som das cordas ter uma tonalidade mais rica, o que é obviamente uma boa intenção, no entanto parece que tiveram de mexer demasiado na equalização para chegar a esse som ideal, com um aumento nas gamas alta e média-alta, e depois provavelmente tentando limitar a crista superior desse aumento... o que resultou em algo que é pelo menos estranho e eu prefiro o som do CD e LP originais que é bastante mais natural e directo.

As guitarras abanam e picam e gritam conduzindo ritmos percussivos e energia bruta nos limites das capacidades da gravação, mesmo o toque mais ligeiro do engenheiro de masterização pode destruir o fino equilíbrio entre elas. Sempre estive mais do que satisfeito com a qualidade desta gravação, deixou sempre os ouvintes com a boca aberta de espanto desde o primeiro dia em que foi editada, e ainda o faz sem excepção. Parece-me que a abordagem da ORG funcionou maravilhosamente para a melhorar e permitir que o carácter feroz, interacção espectacular e a verdadeira natureza da performance sejam apresentados com maior fidelidade do que alguma vez tinha sido feito antes, com resposta de transientes de tirar a respiração e uma estonteante imagem estereo para nos trazer esta sessão ao vivo histórica para dentro das nossas casas em toda a sua glória holográfica. Basicamente, a ORG soube focar-se no que realmente interessa para melhorar e evoluir sobre o som original!



Ouvir esta reedição em duplo vinil de 45rpm traz de volta aquelas longas noites de verão dos anos 80 com as Quad ESL-63 e o rio Tejo. Nada pode substituir esses momentos especiais e as sensações que ouvir música dessa qualidade imprimiu na minha personalidade e no que sou hoje... mas tenho de dizer que esta reedição elevou a qualidade de som para um nível muito superior, ponha este disco no seu gira-discos, apague as luzes, suba o volume para apreciar a dinâmica completa e transientes acentuados, e prepare-se para ser surpreendido outra vez!

A noite começa com um "medley" de quase 12 minutos com "Mediterranean Sundance" e "Rio Ancho" compostos por Di Meola e Paco de Lucía, esta viria a tornar-se a parte mais famosa e reconhecida do album, uma performance solta, espontânea e deliciosa. Segue-se o bem humorado "Short Tales of the Black Forest" de Chick Corea e "Frevo Rasgado" de Egberto Gismonti (um dos meus temas perferidos), para fechar com "Fantasia Suite" (Di Meola) e a melodia intensa do final "Guardian Angel" (McLaughlin).



Não podia haver uma melhor forma para demonstrar o nosso respeito e prestar homenagem a Paco de Lucía do que reeditar este disco, esta noite, em vinil audiófilo de tão alta qualidade. Tenho a certeza de que um dia a minha filha também se vai deixar arrebatar por este disco, como eu deixei... esta reedição traz de volta a magia e acrescenta-lhe muito mais.



Classificação ViciAudio: Música (0-10): 10   Som (0-10): 10   Produto / Valor (0-10):9


Al di Meola / Paco de Lucia / John McLaughlin
Friday Night In San Francisco (1981)
2012 ORG USA Edição Limitada e Numerada (2500 unidades no Mundo)
Número de Catálogo: ORG 125
Matrix Lado A: ORG 125-A45   88697978081 A   Bernie Grundman   20155.1(3)
Matrix Lado B: ORG 125-B45   88697978081 B   Bernie Grundman   20155.2(3)
Código de Barras: 858492002251


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

A rodar: Grizzly Bear Veckatimest 2LP Vinil Warp Records 2009




Um dos melhores albums de 2009, Veckatimest dos Grizzly Bear não é seguramente um disco audiófilo, nem uma novidade por esta altura em 2014, mas a música é maravilhosa e a qualidade de som deste LP, tendo em conta o estilo musical "Alternativo" bem como o público alvo da edição, é surpreendentemente bom... muito bom mesmo, especialmente se for reproduzido num bom sistema capaz de lhe fazer justiça!

Masterizado por Ray Janos na Sterling Sound, apresenta uma separação de instrumentos notável no primeiro plano sonoro, e outros planos secundários em profundidades distintas, com um palco sonoro amplo e bem definido. As baixas frequências impressionam em alguns momentos pela extensão e energia que transmitem, e a tonalidade geral de todos os instrumentos soa com bastante realismo e naturalidade, apesar da produção audio um pouco "crua" e alguma compressão provavelmente aplicada no próprio processo criativo ou na mistura de faixas durante a produção do master, típico deste tipo de produção.

É no seu género, um bom exemplo de masterização e prensagem de qualidade, e acima de tudo é um album enorme e indispensável!

Grizzly Bear Veckatimest
WARPLP182R Warp Records 2009
EU 180gr Reissue 2012
Matrix Lado A: WARPLP182R A   93653 1A   83929 1A   Sterling RJ
Matrix Lado B: WARPLP182R B-RE1   93653 1B   83929 2B   Sterling RJ
Código de Barras: 801061818210


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domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Rodar: Charles Mingus - Mingus Ah Um - ORG Original Recordings Group 2LP 45rpm

(reedição Original Recordings Group a rodar a 45rpm no meu Rega P9)

Provavelmente o ponto mais alto da carreira do "Charles Mingus Jazz Workshop" durante os anos 50, o album Mingus Ah Um gravado em Maio de 1959 nos 30th Street Studios da Columbia e lançado ainda durante esse ano foi o primeiro de Charles Mingus para esta famosa editora e é considerado um dos melhores, se não mesmo o seu melhor album. Com uma qualidade de produção de referência esta gravação apresenta micro e macro dinâmica com detalhe e energia impressionantes, um palco sonoro holográfico de grande dimensão e transientes explosivos, que transmitem de forma exemplar esta obra prima e a performance insuperável deste fabuloso grupo de músicos.


(arte da capa original de S. Neil Fujita)

Esta reedição faz-lhe plena justiça  permitindo que todas as suas qualidades sejam transmitidas com naturalidade, presença, realismo e rigor tonal a partir de um campo sonoro escuro e profundo como a superfície do vinil. Em pouco tempo vai encontrar a na sua sala os fantasmas de Mingus, Parlan, Ervin e seus pares bem como os mestres que são invocados em várias faixas do album (Lester Young, Duke Ellington, Jelly Roll Morton), fazendo ecoar esta música intemporal na alma de quem os ouve... como diz o título "Better Git It in Your Soul"!

Este LP duplo a 45rpm vem numa capa de abertura "gatefold" com reprodução fiel da belíssima arte original e produzida com um cartão grosso e sólido que é um prazer para os olhos e ao toque, trata-se de uma edição limitada e numerada prensada na RTI dos Estados Unidos da América e superiormente masterizada a partir da Master Tape Original por Bernie Grundman cuja mestria técnica, vasta experiência e bom gosto são garantia de que estamos a ouvir o melhor som possível.


(Charles Mingus, New York 1959 - Columbia 30th Street Studios - Foto de Don Hunstein)

 Para esta avaliação fiz uma comparação aprofundada desta nova reedição com a edição em vinil 200gr/33rpm de 1995 também masterizada por Bernie Grundman para a defunta Classic Records e descobri que a nova masterização soa marginalmente mais brilhante (provavelmente mais como a Master Tape Original realmente soa), mas a resposta de transientes melhorada, grave mais controlado e focado e a maior gama dinâmica contribuem de forma decisiva para uma fidelidade superior da experiência e apresentação sonora em geral. Um dos aspectos onde se nota mais esta superioridade da nova edição ORG 45rpm está na forma como podemos ouvir e sentir o contrabaixo de Mingus com muito maior resolução e controlo, agora ouvem-se as cordas do instrumento de forma clara quando anteriormente o som tinha algum efeito de ressonância e estava difuso no espaço de audição. Atribuo esta evolução não só ao facto desta nova versão ser cortada a 45rpm com vantagens técnicas conhecidas ao nível da resolução e rapidez de transientes, mas também porque Bernie Grundman renovou completamente e melhorou a sua cadeia de masterização analógica no tempo que passou entre as duas versões, resultando num incremento notável da transparência.

Uma verdadeira pérola audiófila, este é o tipo de edição em vinil que responde a todas as dúvidas, e que faz com que tudo valha a pena. Pela música, pela performance, e por esta reedição absolutamente perfeita, Mingus Ah Um é um album indispensável em qualquer colecção e uma adição óbvia à lista Vinyl Gourmet TOP 100 Audiófilo.


(música e som combinam-se para uma experiência audiófila memorável)


Classificação ViciAudio: Música (0-10): 9   Som (0-10): 9   Produto / Valor (0-10): 10


Charles Mingus "Mingus Ah Um" (editado originalmente em 1959)
ORG Original Recordings Group (reedição de 2012)
Made in USA 45rpm 180gr Vinyl prensagem RTI
Edição Limitada e Numerada - Masterização de Bernie Grundman
Número de Catálogo: ORG 130 (CS 8171)
Matrix Lado A: ORG 130-A45   Bernie Grundman   20400.1(3)
Matrix Lado B: ORG 130-B45   Bernie Grundman   20400.2(3)

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Rodar: Miles Davis - Sketches of Spain - Mobile Fidelity Sound Lab Vinil LP

(Miles Davis Sketches Of Spain - Mobile Fidelity vs Classic Records)


Depois de Kind Of Blue em que a última faixa se chamava justamente "Flamenco Sketches", Miles Davis apresentou em 1960 o seu novo album "Sketches Of Spain" com arranjos de Gil Evans e agora sem John Coltrane ou Cannonball Adderley a acompanhar, um disco que de certa forma não se afastou muito da sonoridade "Cool" que caracterizava Miles Davis nessa época mas, desta vez com a veia jazzística mais diluída ou não fosse este um dos discos mais representativos dos géneros Jazz Fusion ou do chamado Third Stream com a sua mistura de elementos do Jazz, da Música Clássica Europeia e da World Music.

Considerado um dos marcos na carreira de Miles Davis, esta obra prima caracteriza-se por uma apresentação sonora diferente de outros discos de Jazz mais "tradicionais", com um palco sonoro mais vasto e profundo, bem como um destaque mais acentuado ao som ambiente do estúdio por força do arranjo orquestral que normalmente associamos à música Clássica. Além disso outros instrumentos que normalmente não ouvimos nos discos de Miles Davis (ou Jazz em geral) estão aqui presentes e naturalmente representam desafios técnicos diferentes nas fases de gravação, mistura e masterização do disco.




No que diz respeito às edições analógicas audiófilas, Sketches Of Spain foi reeditado pela já desactivada mas muito bem reputada "Classic Records" em 1998, passando depois por um período negro com várias edições de má qualidade que inundaram as lojas mais generalistas oriundas de empresas como a Music On Vinyl, WaxTime, Not Now Music, ou a Doxy em busca de clientes menos informados (que claramente não visitam o blog ViciAudio), até agora que faz parte do programa de reedições audiófilas de Miles Davis pela Mobile Fidelity Sound Lab (MFSL). Se for como outros discos desta série, estaremos seguramente perante mais um trabalho soberbo de masterização e prensagem ao mais alto nível de qualidade, a partir das Master Tapes analógicas aprovadas pela Sony.

Assim sendo, decidi comparar estas duas edições, a "Classic Records 200gr Quiex SV-P Super Vinyl Profile" de 1998 masterizada por Bernie Grundman e a "Mobile Fidelity Sound Lab Original Master Recording 180gr High Definition Vinyl Half-Speed Mastered on the Gain 2 Ultra Analog System" de 2013 masterizada por Krieg Wunderlich e Shawn Britton. Mais uma vez a MFSL não desiludiu dando continuidade ao fabuloso trabalho que tem feito neste programa de reedições de Miles Davis, mesmo quando cofrontada com uma versão com a qualidade da Classic Records e com a mestria de Bernie Grundman, a MFSL conseguiu trazer-nos Sketches of Spain com ainda maior clareza, maior resolução, numa experiência sonora e musical mais completa.


(no lado A da edição Classic Records pode ver-se uma área não gravada bastante maior)

A diferença principal entre as duas edições reside num efeito de maior compressão do LP da Classic Records, com um corte mais quente que reduz ligeiramente a dinâmica e também a dimensão do palco sonoro tornando a performance um pouco mais estreita e com um contexto sonoro bastante mais típico para um disco de Jazz mas que, neste caso concreto pelas particularidades musicais, talvez não seja a abordagem mais correcta em termos de masterização. Na verdade a versão da MFSL com a dinâmica preservada numa apresentação sonora mais subtil e refinada mostra-nos o ambiente do estúdio CBS da 30th Street com outra amplitude, com o som da percussão e do próprio trompete de Miles Davis menos pronunciados e devidamente colocados na imagem sonora tal como se espera que eles estivessem integrados num cenário de orquestra maior do que o habitual Jazz Trio ou Quinteto.


(no lado A da edição da MFSL pode ver-se uma maior ocupação de área gravada)

Outra vantagem da menor compressão dinâmica do LP da MFSL é a naturalidade do som do trompete de Miles Davis que em quase todas as edições deste album até agora podia tornar-se um pouco artificial, duro e de difícil audição mas que aqui soa mais rico e expressivo, e o grave expansivo e aberto que representa bem a escala maior que é uma marca fundamental desta gravação. No LP da Classic Records temos uma abordagem mais directa e estreita, com os sons fundamentais destacados e muito frontais, mas no LP da Mobile Fidelity ouvimos Sketches of Spain em toda a sua grandeza e com todo o detalhe de uma apresentação musical variada onde diferentes aspectos têm relevância, e os traços vitais surgem numa integração perfeita com o espírito da gravação original, acrescido de uma resolução mais profunda, rica e detalhada do que alguma vez tinha sido possível. A MFSL está de parabéns por nos trazer mais um clássico na melhor forma de sempre, esta série de Miles Davis é absolutamente imperdível, as melhores masterizações a partir das melhores fontes no melhor formato do Mundo.

Na época alguém perguntou: "But is it jazz?" Davis respondeu, "It's music, and I like it." Nós também gostamos!




Classificação ViciAudio: Música (0-10): 8   Som (0-10): 9   Produto / Valor (0-10): 9


Miles Davis Sketches Of Spain (editado originalmente em 1960)
Mobile Fidelity Sound Lab Original Master Recording (reeditado em 2013)
Made in USA 33rpm 180gr High Definition Vinyl
Número de Catálogo: MFSL 1-375
Código de Barras: 821797137515
Masterizado por Krieg Wunderlich e Shawn Britton
Matrix Lado A: MFSL 1-375 A1   KW@MoFi   20519.1(3)...
Matrix Lado B: MFSL 1-375 B1   KW@MoFi   20519.2(2)...

Miles Davis Sketches Of Spain (editado originalmente em 1960)
Classic Records (reeditado em 1998)
Made in USA 33rpm 200gr Quiex Super Vinyl Profile
Número de Catálogo: CS 9271
Masterizado por Bernie Grundman
Matrix Lado A: CS 8271-A   BG
Matrix Lado B: CS 8271-B   BG


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