domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Rodar: Charles Mingus - Mingus Ah Um - ORG Original Recordings Group 2LP 45rpm

(reedição Original Recordings Group a rodar a 45rpm no meu Rega P9)

Provavelmente o ponto mais alto da carreira do "Charles Mingus Jazz Workshop" durante os anos 50, o album Mingus Ah Um gravado em Maio de 1959 nos 30th Street Studios da Columbia e lançado ainda durante esse ano foi o primeiro de Charles Mingus para esta famosa editora e é considerado um dos melhores, se não mesmo o seu melhor album. Com uma qualidade de produção de referência esta gravação apresenta micro e macro dinâmica com detalhe e energia impressionantes, um palco sonoro holográfico de grande dimensão e transientes explosivos, que transmitem de forma exemplar esta obra prima e a performance insuperável deste fabuloso grupo de músicos.


(arte da capa original de S. Neil Fujita)

Esta reedição faz-lhe plena justiça  permitindo que todas as suas qualidades sejam transmitidas com naturalidade, presença, realismo e rigor tonal a partir de um campo sonoro escuro e profundo como a superfície do vinil. Em pouco tempo vai encontrar a na sua sala os fantasmas de Mingus, Parlan, Ervin e seus pares bem como os mestres que são invocados em várias faixas do album (Lester Young, Duke Ellington, Jelly Roll Morton), fazendo ecoar esta música intemporal na alma de quem os ouve... como diz o título "Better Git It in Your Soul"!

Este LP duplo a 45rpm vem numa capa de abertura "gatefold" com reprodução fiel da belíssima arte original e produzida com um cartão grosso e sólido que é um prazer para os olhos e ao toque, trata-se de uma edição limitada e numerada prensada na RTI dos Estados Unidos da América e superiormente masterizada a partir da Master Tape Original por Bernie Grundman cuja mestria técnica, vasta experiência e bom gosto são garantia de que estamos a ouvir o melhor som possível.


(Charles Mingus, New York 1959 - Columbia 30th Street Studios - Foto de Don Hunstein)

 Para esta avaliação fiz uma comparação aprofundada desta nova reedição com a edição em vinil 200gr/33rpm de 1995 também masterizada por Bernie Grundman para a defunta Classic Records e descobri que a nova masterização soa marginalmente mais brilhante (provavelmente mais como a Master Tape Original realmente soa), mas a resposta de transientes melhorada, grave mais controlado e focado e a maior gama dinâmica contribuem de forma decisiva para uma fidelidade superior da experiência e apresentação sonora em geral. Um dos aspectos onde se nota mais esta superioridade da nova edição ORG 45rpm está na forma como podemos ouvir e sentir o contrabaixo de Mingus com muito maior resolução e controlo, agora ouvem-se as cordas do instrumento de forma clara quando anteriormente o som tinha algum efeito de ressonância e estava difuso no espaço de audição. Atribuo esta evolução não só ao facto desta nova versão ser cortada a 45rpm com vantagens técnicas conhecidas ao nível da resolução e rapidez de transientes, mas também porque Bernie Grundman renovou completamente e melhorou a sua cadeia de masterização analógica no tempo que passou entre as duas versões, resultando num incremento notável da transparência.

Uma verdadeira pérola audiófila, este é o tipo de edição em vinil que responde a todas as dúvidas, e que faz com que tudo valha a pena. Pela música, pela performance, e por esta reedição absolutamente perfeita, Mingus Ah Um é um album indispensável em qualquer colecção e uma adição óbvia à lista Vinyl Gourmet TOP 100 Audiófilo.


(música e som combinam-se para uma experiência audiófila memorável)


Classificação ViciAudio: Música (0-10): 9   Som (0-10): 9   Produto / Valor (0-10): 10


Charles Mingus "Mingus Ah Um" (editado originalmente em 1959)
ORG Original Recordings Group (reedição de 2012)
Made in USA 45rpm 180gr Vinyl prensagem RTI
Edição Limitada e Numerada - Masterização de Bernie Grundman
Número de Catálogo: ORG 130 (CS 8171)
Matrix Lado A: ORG 130-A45   Bernie Grundman   20400.1(3)
Matrix Lado B: ORG 130-B45   Bernie Grundman   20400.2(3)

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Rodar: Miles Davis - Sketches of Spain - Mobile Fidelity Sound Lab Vinil LP

(Miles Davis Sketches Of Spain - Mobile Fidelity vs Classic Records)


Depois de Kind Of Blue em que a última faixa se chamava justamente "Flamenco Sketches", Miles Davis apresentou em 1960 o seu novo album "Sketches Of Spain" com arranjos de Gil Evans e agora sem John Coltrane ou Cannonball Adderley a acompanhar, um disco que de certa forma não se afastou muito da sonoridade "Cool" que caracterizava Miles Davis nessa época mas, desta vez com a veia jazzística mais diluída ou não fosse este um dos discos mais representativos dos géneros Jazz Fusion ou do chamado Third Stream com a sua mistura de elementos do Jazz, da Música Clássica Europeia e da World Music.

Considerado um dos marcos na carreira de Miles Davis, esta obra prima caracteriza-se por uma apresentação sonora diferente de outros discos de Jazz mais "tradicionais", com um palco sonoro mais vasto e profundo, bem como um destaque mais acentuado ao som ambiente do estúdio por força do arranjo orquestral que normalmente associamos à música Clássica. Além disso outros instrumentos que normalmente não ouvimos nos discos de Miles Davis (ou Jazz em geral) estão aqui presentes e naturalmente representam desafios técnicos diferentes nas fases de gravação, mistura e masterização do disco.




No que diz respeito às edições analógicas audiófilas, Sketches Of Spain foi reeditado pela já desactivada mas muito bem reputada "Classic Records" em 1998, passando depois por um período negro com várias edições de má qualidade que inundaram as lojas mais generalistas oriundas de empresas como a Music On Vinyl, WaxTime, Not Now Music, ou a Doxy em busca de clientes menos informados (que claramente não visitam o blog ViciAudio), até agora que faz parte do programa de reedições audiófilas de Miles Davis pela Mobile Fidelity Sound Lab (MFSL). Se for como outros discos desta série, estaremos seguramente perante mais um trabalho soberbo de masterização e prensagem ao mais alto nível de qualidade, a partir das Master Tapes analógicas aprovadas pela Sony.

Assim sendo, decidi comparar estas duas edições, a "Classic Records 200gr Quiex SV-P Super Vinyl Profile" de 1998 masterizada por Bernie Grundman e a "Mobile Fidelity Sound Lab Original Master Recording 180gr High Definition Vinyl Half-Speed Mastered on the Gain 2 Ultra Analog System" de 2013 masterizada por Krieg Wunderlich e Shawn Britton. Mais uma vez a MFSL não desiludiu dando continuidade ao fabuloso trabalho que tem feito neste programa de reedições de Miles Davis, mesmo quando cofrontada com uma versão com a qualidade da Classic Records e com a mestria de Bernie Grundman, a MFSL conseguiu trazer-nos Sketches of Spain com ainda maior clareza, maior resolução, numa experiência sonora e musical mais completa.


(no lado A da edição Classic Records pode ver-se uma área não gravada bastante maior)

A diferença principal entre as duas edições reside num efeito de maior compressão do LP da Classic Records, com um corte mais quente que reduz ligeiramente a dinâmica e também a dimensão do palco sonoro tornando a performance um pouco mais estreita e com um contexto sonoro bastante mais típico para um disco de Jazz mas que, neste caso concreto pelas particularidades musicais, talvez não seja a abordagem mais correcta em termos de masterização. Na verdade a versão da MFSL com a dinâmica preservada numa apresentação sonora mais subtil e refinada mostra-nos o ambiente do estúdio CBS da 30th Street com outra amplitude, com o som da percussão e do próprio trompete de Miles Davis menos pronunciados e devidamente colocados na imagem sonora tal como se espera que eles estivessem integrados num cenário de orquestra maior do que o habitual Jazz Trio ou Quinteto.


(no lado A da edição da MFSL pode ver-se uma maior ocupação de área gravada)

Outra vantagem da menor compressão dinâmica do LP da MFSL é a naturalidade do som do trompete de Miles Davis que em quase todas as edições deste album até agora podia tornar-se um pouco artificial, duro e de difícil audição mas que aqui soa mais rico e expressivo, e o grave expansivo e aberto que representa bem a escala maior que é uma marca fundamental desta gravação. No LP da Classic Records temos uma abordagem mais directa e estreita, com os sons fundamentais destacados e muito frontais, mas no LP da Mobile Fidelity ouvimos Sketches of Spain em toda a sua grandeza e com todo o detalhe de uma apresentação musical variada onde diferentes aspectos têm relevância, e os traços vitais surgem numa integração perfeita com o espírito da gravação original, acrescido de uma resolução mais profunda, rica e detalhada do que alguma vez tinha sido possível. A MFSL está de parabéns por nos trazer mais um clássico na melhor forma de sempre, esta série de Miles Davis é absolutamente imperdível, as melhores masterizações a partir das melhores fontes no melhor formato do Mundo.

Na época alguém perguntou: "But is it jazz?" Davis respondeu, "It's music, and I like it." Nós também gostamos!




Classificação ViciAudio: Música (0-10): 8   Som (0-10): 9   Produto / Valor (0-10): 9


Miles Davis Sketches Of Spain (editado originalmente em 1960)
Mobile Fidelity Sound Lab Original Master Recording (reeditado em 2013)
Made in USA 33rpm 180gr High Definition Vinyl
Número de Catálogo: MFSL 1-375
Código de Barras: 821797137515
Masterizado por Krieg Wunderlich e Shawn Britton
Matrix Lado A: MFSL 1-375 A1   KW@MoFi   20519.1(3)...
Matrix Lado B: MFSL 1-375 B1   KW@MoFi   20519.2(2)...

Miles Davis Sketches Of Spain (editado originalmente em 1960)
Classic Records (reeditado em 1998)
Made in USA 33rpm 200gr Quiex Super Vinyl Profile
Número de Catálogo: CS 9271
Masterizado por Bernie Grundman
Matrix Lado A: CS 8271-A   BG
Matrix Lado B: CS 8271-B   BG


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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os 30 Melhores Discos do Ano 2013 para o ViciAudio (Top 30 Best Albums Of The Year 2013)


 Chegou aquela altura do ano em que elegemos a melhor música. Neste caso os melhores discos, e para ser claro os melhores discos de vinil, ou ainda mais propriamente os melhores discos de vinil ouvidos pelo ViciAudio no seu sistema. Assim não há dúvidas quanto ao âmbito da selecção apresentada... se não estiver ali na prateleira e não tiver passado pelo Rega P9 residente, não conta. Se não aparece na lista e o leitor acha que devia ter aparecido, muito provavelmente isso aconteceu porque não há tempo para ouvir tudo nem há dinheiro para comprar todos os discos... além do mais, o ano não foi passado a ouvir apenas música nova, nisso gosto muito de olhar para trás tanto como olho para a frente, e não sendo propriamente um saudosista do "meu tempo é que era" a verdade é que pelo menos 50% do que vou ouvindo foi gravado antes dos anos 90... sou mais selectivo no material "novo".



Como é normal, trata-se de um processo extremamente subjectivo e não há escolhas mais certas do que outras, especialmente quando não há grandes limites ou critérios rígidos muito definidos para uma selecção muito apurada... na verdade vale tudo e nesta lista "best of" vai uma misturada que espelha bem o meu gosto musical desinibido e que não fecha as portas a quase nada. Desde o disco mais inovador que nos surpreendeu ou nos assustou com o seu experimentalismo, até aos truques de nostalgia reformatada que por vezes nos sabem tão bem, passando pelas reinvenções de estilos ou as revelações de novas facetas artísticas de quem já não esperávamos novidade nenhuma... enfim, são muitos e variados os motivos que nos podem levar a escolher um album para fazer parte dos Melhores do Ano. Sem entrar em grandes detalhes, vou apresentar, ou melhor listar, uma selecção de 30 discos que me deram especial prazer ou que me fizeram visitar aquele lugar especial na minha alma, que me fizeram revisitar momentos do passado, ou que me levaram a viajar para destinos até então desconhecidos ajudando-me a crescer e aumentando a minha visão do Mundo... ou simplesmente porque tinham lá umas "grandas malhas" a valer que fizeram sorrir, bater o pé ou dançar!!! Por tudo isso agradeço aos artistas por continuarem a alimentar-me a alma, e aqui estão divididos em 3 grupos, os 10 melhores discos do ano 2013, seguidos dos 10 quase melhores discos do ano... e os outros 10 que também merecem destaque.



ViciAudio TOP 30 Best Albums 2013


01 - Daft Punk - Random Access Memories



02 - Arcade Fire - Reflektor



03 - James Blake - Overgrown



04 - Sigur Rós - Kveikur



05 - My Bloody Valentine - m b v



06 - Nick Cave & The Bad Seeds - Push The Sky Away



07 - Julia Holter - Loud City Song



08 - Sting - The Last Ship



09 - Boards Of Canada - Tomorrow's Harvest



10 - The Knife - Shaking The Habitual



11 - Savages - Silence Yourself
12 - The Flaming Lips - The Terror
13 - Vampire Weekend - Modern Vampires of the City
14 - Grails - Black Tar Prophecies vol's 4, 5 & 6
15 - Queens Of The Stone Age - Like Clockwork
16 - Depeche Mode - Delta Machine
17 - David Bowie - The Next Day
18 - Linda Martini - Turbo Lento
19 - Bonobo - The North Borders
20 - Yo La Tengo - Fade

21 - Steven Wilson - The Raven That Refused To Sing
22 - Atoms For Peace - Amok
23 - Goldfrapp - Tales Of Us
24 - Junip - Junip
25 - Kavinsky - Outrun
26 - Jim James - Regions of Light and Sound of God
27 - David Lynch - The Big Dream
28 - Paul McCartney - New
29 - Moby - Innocents
30 - The National - Trouble Will Find Me

Não consegui ouvir em vinil no meu sistema a tempo de entrar nesta listagem, situação a corrigir brevemente... mas não posso deixar de referir mais um porque é um album maravilhoso que facilmente estaria nos meus melhores de 2013 e muito bem colocado... o "meu 31" não oficial deste Top 30 é Bill Callahan Dream River.

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