terça-feira, 25 de maio de 2010

Highend Show 2010 - Reportagem ViciAudio por Sérgio Redondo (Parte 3)


HIGHEND SHOW 2010 (Parte 3)

 (o peculiar controlo remoto do Devialet D-Premier em demonstração na sala da Imacústica)

No Highend Show 2010 realizado em Aveiro pela HDMC, foram dois os sistemas que estiveram em competição "séria" pelo título de "Melhor Som do Show". Dois sistemas que pelo seu carácter mais esotérico, ou até pela novidade, pela qualidade de som apresentado e também claro pelos preços dos componentes, merecem perfeitamente o estatuto de "Highend" e estiveram naturalmente em destaque como "cabeças de cartaz" neste evento.

As duas empresas, IMACÚSTICA e ULTIMATE AUDIO, já nos habituaram a este tipo de performance, onde o bom som e o alto custo dos seus sistemas costuma ser uma constante. Desta vez não foi excepção, e embora me pareça que ambas mereciam o mesmo prémio pela audácia e pela dedicação à "causa", a verdade é que me deu um prazer especial "esmiuçar" as diferenças entre os dois sistemas, ali mesmo a jeito e à mão de semear a poucos metros um do outro... em várias ocasiões a tocarem exactamente os mesmos CD's, o que tornou muito mais fácil fazer a comparação entre eles, mesmo levando em conta que estando em salas diferentes há diferentes interacções e o resultado sonoro final é sempre o do sistema de audio e o do ambiente onde está inserido. Claro que isto permite também, de certa forma e dentro dos constrangimentos normais de um evento num Hotel, avaliar qual a abordagem e quais as opções técnicas que cada uma tomou para fazer valer o melhor dos seus equipamentos, integrados nesse ambiente por si escolhido e preparado.

(Imacústica - Magico V3, Metronome Kalista Reference, Devialet D-Premier)


 (Ultimate Audio - TAD Compact Reference One, amplificação Karan, fonte Playback Designs)


Pelas fotos dá para perceber que "os meninos" não estavam para brincadeiras. A Imacústica com as belíssimas colunas Magico V3 que são senhoras de uma performance muito aberta e detalhada como poucas colunas que já ouvi, parecem sempre desaparecer do mapa deixando apenas som que brota dinâmico e claro do nada com bastante facilidade... e para as alimentar foi apresentado pela primeira vez em Portugal o famoso Devialet D-Premier, um amplificador que a marca francesa garante que vai revolucionar o modo como encaramos a amplificação, juntando numa só caixa amplificação "híbrida" Digital e Classe A, bem como um conversor digital (DAC) que recebe o "bitstream data" de um transporte (neste caso um "espacial" Metronome Kalista Reference) ou converte o input analógico "line in" para o domínio digital antes de fazer a amplificação propriamente dita. Este "monstro" da era digital até tem entrada de phono MM/MC para poder disfrutar dos seus LP's... mas como nos outros inputs, é logo convertido para digital à entrada do amplificador, que usa chips DAC Burr Brown 1792. De uma forma geral, no sistema da Imacústica com as Magico e o Devialet, o som caracterizava-se principalmente por um imenso detalhe e transparência, um palco sonoro bem definido e profundo, e o som pareceu-me sempre rápido, e de alta resolução.

(Imacústica - Metronome Kalista Reference CD Transport)

(Imacústica - Amplificador híbrido "Digital / Classe A" Devialet D-Premier)

(Imacústica - As colunas Magico V3 voltam a fazer a magia da transparência)


A Ultimate Audio apostou num sistema bastante diferente, começando pela amplificação portentosa que de digital não tem nada, os fantásticos pré Karan KAS 450 e power KAL Ref. MKII, e umas colunas a que chamamos de monitoras (apenas porque estão em cima de uns suportes) mas cuja dimensão e performance não oferece quaisquer limitações físicas a destacar, as "gordinhas e roliças" TAD Compact Reference One, tudo alimentado por uma fonte digital Playback Designs MPS-5. Portanto, em vez de transporte+DAC, amplificação digital e colunas de chão, a Ultimate apresentou fonte digital integrada, amplificação tradicional (A/B) e colunas de suporte. Não sei qual o valor dos dois sistemas, mas posso garantir uma coisa... são os dois muito caros! O som  na sala da Ultimate respirava energia, força, dinâmica e escala... um pouco à imagem do que já tinha ouvido no Audioshow onde apresentaram as irmãs TAD maiores com amplificação Vitus Audio. Aliás, parece-me que as diferenças entre estas Compact Reference e as Reference "normais" são poucas, apesar de reconhecer que às segundas se pode atribuir um maior poder de demolição de edifícios por implosão. Naturalmente, perante as Compact Reference nunca nos ocorre pensar que são umas colunas monitoras, e a forma visceral com que os Karan lhes pegam é, no mínimo, desarmante.

(Ultimate Audio - Sistema com aspecto menos delicado mas nem por isso menos elegante)

 (Ultimate Audio - A fonte digital e o pré, tudo em suportes e bases da Symposium)

(Ultimate Audio - Karan KAL Ref. MKII com aquele ar de ser capaz de demolir um estádio)


Entre muitas entradas e saídas de ambas as salas, perseguindo a melhor comparação possível, e acertando ocasionalmente numa sequência de músicas iguais nas duas, o que permitiu tirar conclusões muito mais "afinadas", o meu coração e os meus ouvidos acabaram sempre por preferir a performance robusta e arrebatadora das TAD na sala da Ultimate Audio. Enquanto as Magico me conquistavam pela eloquência, na sala da Imacústica, notei por vezes que havia alguma aspereza nas altas frequências, e a gama média mais "fininha", características que se tornavam mais ou menos aparentes dependendo do programa musical, mas que numa abordagem preliminar me parecem resultar do DAC do Devialet... talvez o conversor não esteja à altura dos seus módulos de amplificação (esta pareceu-me sempre suficiente e bastante forte). Pelo contrário, a exuberância e escala das TAD com amplificação Karan conquistaram-me pela força e pela sua apresentação sonora autoritária, presente e cheia, tocando a níveis de volume muito elevados sem provocar a mínima fadiga auditiva, e sempre com a maior compostura... De uma forma geral, o detalhe "extra" do sistema Devialet/Magico nunca superou a força e energia musical do sistema Karan/TAD. Pela segunda vez, fiquei rendido às TAD, são colunas verdadeiramente superlativas.




Parabéns à Ultimate Audio por ter o "Melhor Som do Show", parabéns também à Imacústica por um sistema verdadeiramente esotérico, puro "Highend", com uma performance de alto nível. Parabéns à HDMC por mais uma excelente iniciativa e pelo sucesso da organização do Highend Show 2010. Até à próxima... e muita música!



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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Highend Show 2010 - Reportagem ViciAudio por Sérgio Redondo (Parte 2)


HIGHEND SHOW 2010 (Parte 2)


 (Bowers & Wilkins 802 Diamond, electrónica Classé, e muito bom gosto)

Se eu não conhecesse a qualidade dos equipamentos destas marcas, e a qualidade do anfitrião da sala (Alberto Silva), poderia ter ficado marcado negativamente com a apresentação no Highend 2010. Acho que o Alberto cometeu um erro com a escolha desta sala, teve certamente azar e algum motivo o levou a esta opção que durante o evento se revelou demasiado forte mesmo para esta "artilharia", as novas B&W 802 Diamond alimentadas pelos CT-M600 da Classé com fonte e pré da Delta Series da mesma marca. O som estava "tipado" pela sala nas principais zonas de incidência e a todos os níveis, gamas baixas, médias e altas, acho que não houve praticamente nada que tenha escapado ileso. Mesmo assim... já ouvi muito pior, e em salas melhores, o que diz muito sobre a qualidade deste sistema e sobre a forma como o Alberto Silva soube, com as dificuldades que se apresentaram, contornar algumas e dar destaque aos pontos mais positivos destas novas Diamond que me parecem ser tão boas como bonitas. Deixo aqui os meus desejos de melhor sorte para a próxima.


(Supportview com as belas Canton Chrono e um gira discos Pro-Ject RPM 5.1)

(Supportview - "rack" elegante cheio de caixinhas, entre elas o Cambridge Audio DacMagic)

A Supportview apostou, como outros fizeram, em demonstrar um sistema mais "terreno", sendo que o preço das peças em demonstração era, em média, de valor acessível ou pelo menos dentro do normal. Neste caso isso também foi feito com muita felicidade, resultando num sistema respeitável em termos sonoros (e até na parte estética), muito equilibrado, dinâmico e musical. Os pequenos amplificadores Classe D, com o leitor de CD a fazer de transporte para o excelente DACMagic (especialmente com o filtro digital "Minimum Phase" seleccionado), deram às Canton muito com que se entreter, a elas e aos ouvintes. Também lá estava o sistema iPod a ser utilizado como fonte com módulo de controlo remoto e com desempenho surpreendente. Boa aposta, e muita simpatia por parte dos anfitriões da Supportview que prestaram muita e boa informação sobre o sistema em demonstração.



(Zenaudio com Xavian Mia, Lyngdorf SDAi, Blacknote SACD300 e RBT Uno)

(Zenaudio - Rui Borges Turntables UNO)

Contrariando uma tendência dos últimos eventos... na sala da Zenaudio não se fizeram opções de colocação do sistema desadequadas, nem se digitalizou o "input" analógico do gira-discos... e ainda bem, porque pelo que ouvi o RBT Uno deu "quinze a zero" ao SACD da Blacknote. Se calhar se o SACD estivesse lá a tocar sozinho, não seria tão aparente a diferença, mas quando se alternava entre um e outro, não deixou qualquer margem para dúvidas quanto à superioridade do desempenho do sistema quando alimentado pelas espiras do vinil. De uma forma geral, e também rompendo com uma certa "tradição", gostei do som deste sistema, e fiquei especialmente surpreendido com as pequenas colunas Xavian Mia, as primeiras da marca que conseguiram deixar-me bem impressionado, especialmente com a transparência, frontalidade e correcção tonal da gama média. Uma opção a ter em conta no mercado das "mini-monitoras", onde por exemplo as Bowers & Wilkins CM1 são umas das principais concorrentes ao trono... pelo que conheço delas, creio que numa comparação directa as CM1 seriam superiores às Mia no que diz respeito à presença e envolvimento da gama baixa, com graves mais profundos e de maior "ataque", bem como nas gamas altas com os seus "tweeters" metálicos a superiorizarem-se no detalhe e liquidez, mas já na gama média e na escala sonora penso que as Mia (que são também um pouco mais caras) seriam superiores. Parabéns ao Miguel Pais da Zenaudio pelo som que estava agradável e por um sistema que me pareceu melhor conseguido do que habitualmente.
 
 
 
 (Topaudio com Focal Utopia III Diablo - Chord Blu + DAC64 - Hovland)

Continua o meu azar com as Focal de gama alta... já que com as gamas médias (como a Chorus) tenho ouvido muita qualidade e envolvimento musical. No entanto, quando chega às Utopia, ou neste caso as Diablo... a coisa começa a descambar para o som estéril e sem alma. Não percebo porquê, sinceramente... algo se passa, e vontade de gostar delas não me falta, são lindíssimas, e tecnicamente cheias de bons argumentos! Bom, desta vez além do som pouco "recheado", foi também agressivo e demasiado brilhante, talvez culpa dos CD's usados para demonstração que poderiam estar pessimamente mal masterizados (nada que cause admiração infelizmente)... ou seria daquela amplificação Hovland mal casada com as Diablo? Não sei... Aguentei duas ou três músicas... mas tive de sair com a tristeza de ter de atribuir a um sistema tão belo o título de "Pior Som do Show".

Brevemente, a Parte 3 da reportagem ViciAudio... o melhor, claro, ficou para o fim!


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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Highend Show 2010 - Reportagem ViciAudio por Sérgio Redondo (Parte 1)


HIGHEND SHOW 2010 (Parte 1)



Já terminou mais uma edição do Highend Show, que talvez se pudesse chamar também High-Beginning Show já que no evento podíamos ver e ouvir sistemas bastante diversos, tanto para começar com o pé direito como sistemas para acabar em beleza, tal era a disparidade de preços, dimensões e abordagens técnicas apresentadas. Afinal, tantas vezes a relação entre o primeiro passo e o destino final "audiófilo" é de importância fundamental, que esta presença mista em termos de "budget" e "target" acaba por ter um significado especial, quase profético.

Em Aveiro, a beleza da cidade e a riqueza gastronómica, bem como o clima fabuloso que por lá encontrei, não convidavam a permanecer dentro de um hotel, e isso provavelmente explica porque é que não fiz uma audção mais prolongada em várias salas, chegando mesmo a esquecer-me de ouvir uma delas e a esquecer-me de fotografar outra... enfim, valores mais altos se levantaram, e verdade seja dita passei por lá um fim-de-semana muito agradável.

Vamos então ao Highend Show 2010, começando por uma palavra sobre o estatuto do evento. Não é propriamente inédito pois até costuma acontecer algo semelhante noutras ocasiões, mas eu pessoalmente gostava de ver no Highend Show uma maior afinação relativamente ao âmbito do mesmo, em termos dos sistemas apresentados corresponderem a um espírito verdadeiramente highend (e quando se fala de highend fala-se de equipamento esotérico e muito caro, já se sabe) que permita diferenciar no mercado as várias propostas que chegam aos apreciadores deste Mundo Audio. Isto não aconteceu, e nesta edição pudemos ver e ouvir em paralelo sistemas de categorias comerciais radicalmente diferentes entre si, o que não deixou de ser interessante como referi no primeiro parágrafo, mas que em última análise poderá não ser a melhor estratégia (de longo prazo) para o evento e suas edições futuras. Seja como for, considero que esta edição foi um sucesso, especialmente no aspecto técnico, com salas de excelente qualidade acústica, bons sistemas e bem apresentados com qualidade de som geral muito boa.



(Ajasom - Sala grande e bem arrumada, aspecto impecável, colunas Vandersteen)



(Ajasom - Panóplia de processadores, "clocks", transportes e conversores digitais da DCS)



(Ajasom - Amplificação e pré-amplificação a cargo de electrónicas Ayre)



(Ajasom - Wilson Benesch e Lyra Delos e Nagra VPS na fonte analógica)

Na sala da Ajasom ouvi o que chamo de "som inteligente", ou seja um tipo de som que não arrisca mas que não estraga. Alto nível de resolução e conforto auditivo, mas sem a dinâmica e envolvimento que ouvi noutros sistemas no evento. Não é nada de surpreendente, a Ajasom costuma apostar neste género de sonoridade muito contida mas segura, que se destaca por não cometer erros nem revelar aberrações sónicas que borrem a pintura. Este desempenho seguro é bastante agradável, mas não permite desfrutar do que é realmente um som highend, com dinâmica e presença capazes de nos abanar as entranhas pelo realismo da performance de uma bateria ou de uma guitarra, ou de nos fazer arrepiar pela voz de um intérprete que partilha connosco a nossa sala de estar. Um sistema de alto desempenho não pode ser tão contido. Assim sendo, gostei de ouvir as Vandersteen Quatro, com o seu palco sonoro de grandes dimensões e a gama baixa aberta e informativa (apesar de pouco contundente) e que me pareceram bem integradas com uma apresentação muito coerente, mas não me deixei seduzir completamente porque faltou o factor "arrebatador" que diferencia um sistema bom de um sistema excepcional.




(Ultimate Audio - Vista geral com AMR, Karan e Ascendo)

Na sala da Ultimate Audio a música era outra. Som dinâmico que prende a atenção do ouvinte, conseguindo num espaço muito pequeno criar um palco realista, profundo e com boa separação de sons. Mais um belo desempenho do leitor de CD's AMR CD77 e com a amplificação Karan Acoustics (desta vez um integrado) a demonstrar novamente a sua categoria com poder e resolução em abundância. As colunas Ascendo C7 são muito bonitas ao vivo e apresentam um som rápido, detalhado, que me pareceu muito correcto e ao mesmo tempo muito envolvente, gostei bastante deste sistema e de estar por lá à conversa.


(Viasónica - Electrónica Jeff Rowland, fonte DCS e colunas Sonus Faber)

Fui à sala da Viasonica já muito "a correr" sem tempo para ouvir com atenção. Estive por lá poucos minutos, ouvi uma parte de música clássica e ópera, e gostei bastante, mas que considero insuficiente para avaliar correctamente o sistema na sua performance global no evento. Equipamentos lindíssimos e apresentação cuidada, também com simpatia por parte dos anfitriões, apesar da minha curta estadia.


DELAUDIO

(Delaudio - sistema composto por Monitor Audio, Esoteric, Thorens e Primare)

A Delaudio foi outra das sacrificadas pela falta de tempo... o tempo que lá estive não me permite avaliar o sistema de forma muito correcta. De uma forma geral pareceu-me estar em linha com outras apresentações da Delaudio com estes mesmos equipamentos. Não é propriamente um sistema "highend", uma performance simpática mas sem grandes destaques.


(Artaudio surpreendente com o pequeno Nufore Icon Amp a dar muita música)



(Artaudio - Amplificador Nuforce em exposição, leitor de CD Nuforce CDP-8 em uso)

A Artaudio foi a minha vítima das "fotos perdidas".... simplesmente esqueci-me de tirar uma foto da vista geral da sala, o que exclui por exemplo as colunas Focal Chorus... Mas a culpa é do Nuforce Icon, que de tão pequeno mas com tão grande som roubou claramente as luzes da ribalta e chamou a si todas as atenções. Por menos de 200 euros, a dar som em grande... não é preciso pensar duas vezes, qualquer pessoa pode ter um sistema capaz em casa. Uma opção corajosa e muito eficaz da Artaudio em levar estes equipamentos.




(A Jocavi esteve presente com os seus painéis acústicos e outros acessórios)
(Também a CDGO marcou presença, muitos discos em vários formatos, destaque para o vinil)

Brevemente... a Parte 2 da reportagem ViciAudio do Highend Show 2010


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